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Bárbara Paz
Por Eduardo Burckhardt
A mão que segura o gravador tenta acompanhar o ritmo elétrico da loura de cabelos junkiemente desgrenhados. É difícil. Ela parece não agüentar, parada no banco de trás do carro no congestionamento. Remexe-se, vasculha a bolsa, ajeita a blusa.
Tudo enquanto fala por telefone com o affaire/ cantor Supla num bate-papo transmitido ao vivo para uma rádio, checa as mensagens no celular e ainda consegue responder com uma franqueza digna dos cantores punk as perguntas do repórter Eduardo Burckhardt, sentado ao seu lado.
Vencedora do reality show Casa dos Artistas, a gaúcha da pequeno Campo Bom, Bárbara Raquel Paz, 27 anos, chegou ao estrelato com o mesmo espanto com que a cúpula da Globo viu os índices de Ibope do seu rival SBT irem a níveis fantásticos. Dá a entrevista dois dias após ter saído da Casa. Ainda está atordoada. Foi tirada da casa/jaula e jogada sem adestramento no circo que desde criança sonhava entrar: o da fama. "Não estou acostumada com isso."
Não está mesmo. Bárbara nunca teve vida de estrela. Aos quatro anos perde o pai vítima de cirrose, e aos 17, a mãe, por complicações renais. No mesmo ano muda-se para São Paulo para tentar entrar no restrito mundo dos famosos. Nem bem consegue os primeiros trabalhos como modelo da agência Ford, sofre um acidente de carro que lhe causa um corte de orelha a orelha, mais de 200 pontos na face e uma cicatriz não só no rosto mas na auto-estima.
Fica dois anos numa clausura pessoal e quando enfim sai volta-se para a carreira de atriz, atua em peças e comerciais, faz pontas em programas de televisão. Mas nada que a coloque nas manchetes das revistas. Quando chegamos perto do local onde Bárbara tem um compromisso marcado ela retoca a espessa maquiagem, clama por um Big Mac, dá um autógrafo e corre para fazer a quarta capa daquele dia, famosa e linda.
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