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foto: Jorge Bispo
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ANA PAULA OLIVEIRA Por Fernando Mello

Por que você resolveu ser bandeirinha e não juíza?


Quando eu entrei na escola de árbitros, em 1997, a chance da mulher virar árbitra era pequena. Meus próprios colegas falaram para eu ir para a assistência. Foi nessa função que conquistei o Brasil, fi z grandes jogos. Teve aquele em que a torcida do Inter e do Grêmio me aplaudiram juntas [em 24/10/2004]. Pô, me senti o Pelé! [Risos.]

Quando você percebeu que estava famosa?

Demorou um pouco. Eu sou do interior, não ligo muito. Mas acho que a ficha começou a cair depois de 2003, quando eu fi z a fi nal do Paulista. Depois as coisas só foram crescendo. Fui para a Olimpíada [de Atenas, em 2004], participei de jogos na Libertadores em 2005. Mas acho que foi mesmo em 2004 que a mídia começou a me procurar mais para entrevistas. Foi nesse ano que a própria PLAYBOY acabou me sondando. Nunca imaginei que fosse receber um convite para posar nua.

Qual foi a sua reação quando recebeu nosso convite?


Uma mistura de sentimentos. Eu não sei, mas imagino que a PLAYBOY deva fazer uma grande seleção das mulheres para ser a sua capa. É gostoso estar nessa lista, você se sente bem. Se bem que naquela época eu estava melhorzinha. Agora estou mais velha.

Que é isso! O convite continua de pé...

Mas tem outro dilema. Eu não faria pelo fato de estar atuando e saber que isso pode gerar uma repercussão, não por parte dos torcedores mas da própria FIFA. Eu até faria a PLAYBOY, mas se isso não atrapalhasse minha carreira na arbitragem.

E se a gente ligar lá para a FIFA e convencer o pessoal?


Se vocês conseguirem o aval da FIFA assinado, a gente conversa!

Como seria o ensaio?

Boa pergunta. Se eu não fosse árbitra, eu gostaria de fazer na praia. Adoro praia! Mas acho que não tem jeito, teria que ligar ao futebol: fechar o campo e fazer alguma coisa dentro. Pode também brincar com o vestiário. Mas acho que a FIFA jamais aceitaria.

Além de não posar nua, o que mais é preciso fazer para ir para a Copa de 2010?


Não, por que haveria?

É um sonho. E, se não for em 2010, pode ser em 2014. Atualmente eu estou ganhando massa muscular, tenho de fazer musculação para as pernas e também para a parte de cima, porque não pode fi car desequilibrado. Para ir para a Copa, a mulher tem de correr o mesmo que os homens: são 4 mil metros divididos em tiros de 150 metros. E você precisa fazer em menos de 30 segundos, intercalando com caminhadas de 35 segundos. Tem que fazer isso 20 vezes, no mínimo. Isso sem falar dos tiros de 40 metros em seis segundos, para medir a velocidade. Mas essa parte eu tiro de letra, faço em 5,6 segundos. O problema está na primeira parte do teste, que tem de fazer em 33 segundos. O árbitro escolhido para a Copa tem de ter confiança em mim porque, se ele me chamar para ser a assistente e eu for reprovada no teste físico, eu condeno todos os demais brasileiros selecionados. Todo mundo é reprovado.

Qual foi seu pior erro?

Tive dois lances polêmicos: um eu errei e outro, acertei. Este ano na Vila eu cheguei em casa e vi que tinha errado [Ana Paula anulou um gol legítimo do Santos]. Em 2006, as pessoas me paravam no supermercado para reclamar do gol anulado do Tevez no jogo Corinthians e Palmeiras. Era estréia do ponto eletrônico e o Tevez realmente fez uma falta no zagueiro. O [outro bandeirinha da partida] Evandro passou a informação e o quarto árbitro também. Nisso, eu já estava correndo para o meio do campo para validar o gol. Eu recebi a informação, parei e avisei o árbitro. Tive que decidir em poucos instantes. Só então ele tomou a decisão e anulou o gol. Agora, o Tevez fez um golaço.

O vestiário é misto?


É. A gente tira no par ou ímpar para ver quem vai antes. Algumas vezes eu tomo banho antes, outras fi co esperando do lado de fora, fico me alongando. O pior é que há estádios em que os dirigentes ficam nervosos e desligam a água do nosso vestiário. Uma vez os meninos tomaram banho e na minha vez não tinha mais água. Mas eu não posso reclamar, pois eles avisaram que só faltava eu e religaram a água em 20 minutos.

Você sempre se perfuma antes de entrar em campo. Já se deparou com jogador malcheiroso?

Vamos dizer que, depois de 90 minutos, tem aqueles que ficam com um odor desagradável. Mas tem jogador que corre o jogo inteiro e ainda fica cheiroso. O Edmundo, por exemplo. Tem alguns atletas que me cumprimentam com beijo, então dá para ver se estão ou não perfumados. O Roger e o Betão também são cheirosos.

Quem é o jogador mais bonito do Brasil?


O Roger é uma graça. O goleiro do Cruzeiro, o Fábio, é lindo também.

Algum jogador já tentou alguma coisa com você? Boleiro tem fama de ser...

Mulherengo. Acho que são mesmo. Mas o máximo que acontece é falar: "Como você está bonita. Está mais forte, emagreceu. Está treinando?". Nada a ponto de paquerar de verdade. Mesmo porque pode dar repercussão e ser ruim para eles. Quem sabe se eu virar comentarista de arbitragem não posso namorar um? [Risos.] Agora não.

E algum torcedor já tentou te agarrar?


Em Olímpia [interior de São Paulo], num jogo da série A2, o torcedor segurou meu cabelo e não soltava de jeito nenhum. Eu estava na bandeirinha de escanteio e o estádio era muito pequeno. Mas ele era meu fã, não era um torcedor raivoso. O policial chegou, conversou com ele e ele soltou. Foi engraçado. Também tem torcedor que, antes ou depois do jogo, deixa telefone, cartão, pede pra ligar. Essas coisas.

Que boato a seu respeito você gostaria de negar categoricamente nesta entrevista?

Eu nego aquele boato de que nós, mulheres, para chegarmos em algum lugar tivemos de ter relacionamento com algum chefe. Nenhuma árbitra precisa se submeter a isso.

Vamos voltar um pouco no tempo. Na adolescência, você fazia esporte, brincava de boneca ou era namoradeira?


Eu joguei vôlei e basquete, fi z natação e aulas de kung-fu por três anos. Sempre fui fã do Bruce Lee. Também comecei a trabalhar cedo e sempre fui estudiosa. Tive três namoros longos. Meu primeiro namorado tinha 26 anos e eu tinha 16. Sempre gostei de homens mais velhos. Hoje prefiro os de 40 anos.

O que um homem de 40 tem que o de 20 não tem?

Bastante coisa! Ele sabe respeitar mais, conversar mais, valorizar mais a mulher quando está junto com ela. Tem uma experiência a mais. O garotão de 20 é muito displicente, não tem aquela coisa de cortejar a mulher, ser cavalheiro.

Como é trabalhar com caras que ganham muito mais dinheiro que você?


Eu sonho que um dia o árbitro seja valorizado tanto quanto o atleta. Mas eu não me importo. O futebol é um hobby prazeroso que para mim se tornou uma profissão. Ah, e a esperança é a última que morre. [Risos.]

Você já foi a algum restaurante vestida de bandeirinha, só para as pessoas te reconhecerem?

Não. Mas eu fi z uma manhã de autógrafo na 25 de Março, em São Paulo. A gente acha que só vai atingir os homens, mas vieram muitas meninas pegando autógrafo para o namorado, os filhos. O uniforme marca, é incrível. Colocou o uniforme e prendeu o cabelo, as pessoas acham que sou eu.

Pois é. Você acha que "bandeirinha" entrou na lista das fantasias masculinas, ao lado de enfermeira e aeromoça?


Você tem que perguntar para os rapazes. Mas acho que sim. De tudo que é diferente, o fetiche faz parte. Vocês podiam fazer uma enquete.

Pra terminar. Que tipo de calcinha você usa por baixo do uniforme?

De algodão, da linha Capricho. Parece uma tanguinha mesmo. Gosto sempre de trabalhar com aquela. Ah, e eu sempre uso lingerie preta.

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